A Vida, o Universo e Tudo o Mais

sábado, fevereiro 19, 2005

Constantine

Sou um fã confesso de filmes, livros e quadrinhos de terror e suspense. A prateleira de filmes de terror de uma locadora de filmes me encanta o mesmo tanto que me assusta - vamos lá, alguns filmes são tétricos. Pense comigo: como é que se produz um filme chamado Frankenfish? Pode ser até bom, mas esse vai ser no Supercine e pronto.

Mas eu quero mesmo é falar de um personagem que me atraiu nas primeiras estórias que li do Monstro do Pântano, da DC Comics, e que me deixou completamente encantado com o tom sárcastico, com o humor negro até o talo e com a humanidade da peça. Se você lê quadrinhos, aposto que você pensou em John Constantine!

Pois é, molecada, estreou ontem, nos Estados Unidos, o filme Constantine, baseado no personagem. Tenho que dizer, de cara, que acho que o ator certo para viver o John Constantine é o Johnny Depp. Dito isto, preciso confessar que as primeiras imagens que vi do Keanu Reeves encarnando o sujeito não ficaram tão ruins assim...

O fato é que desde que comecei a ouvir falar da produção de um longa metragem sobre o personagem fiquei completamente doido para ver o filme pronto. Ainda não consegui descobrir a data de lançamento no Brasil, mas tenho a impressão de que vou estar na fila no dia da estréia.

O único problema, até agora, é que quem assistiu o filme ontem já começou a comentar no IMDB e, bom, as críticas não foram nada animadoras. Estou na expectativa pelo filme e espero que não seja mais uma adaptação totalmente dispensável de HQs.

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Confusão em uma noite chuvosa

São 00:29 de uma quinta-feira chuvosa, cinza e feia enquanto estou aqui acordado por conta de uma palestra que preciso preparar, e por conta da qual me enchi de café e energéticos, sem conseguir me concentrar em nada. Minha mente viaja do vazamento em minha parede da sala que resolveu dar o ar de sua graça hoje ao motivo pelo qual a frase "...mas você ama alguém pelos seus defeitos..." dita no filme Hellboy me tocou tanto.

É bem possível que este post fique tão confuso quanto minha mente está agora, talvez não. É o primeiro que começo sem um título definido, sem ter opção. Sou organizado demais para não fazer as coisas em ordem, mas hoje realmente não consigo agir de outra forma.

Essa inevitabilidade, que vez por outra aparece na minha vida, me lembra a personagem central de Ensaio sobre a Cegueira, de Saramago, primeiro livro que li do autor português. Quem leu e sabe de quem estou falando, talvez entenda o que eu estou tentando dizer, quem ainda não conhece o livro e deseja lê-lo com todas as surpresas, por favor, pare por aqui.

Se você continua aqui, sabe que a personagem central, que como cada um dos demais, não possui um nome sequer, sendo apenas a mulher do médico, é levada de um canto a outro da estória e tenta modificar o mundo à sua volta para que ele corresponda à sua noção de realidade e normalidade. Sem perceber, ela isola do mundo todos aqueles que ama, ou passa a amar, pensando ser o correto, o humano a fazer. Replica, sem mostrar consciência, o mesmo que o Governo faz com as vítimas da cegueira.

Às vezes me sinto tão cego quanto as vítimas da treva branca do escritor português, tão cego quanto a única mulher que vê em todo o mar de cegos.

Muitas noites da minha vida agradeci por deitar a cabeça no travesseiro e sentir dor pelos males do mundo, sem um Deus para me consolar, sem uma noção qualquer que me desse conforto, em outras tantas amaldiçoei tal liberdade, esse direito conquistado a duras penas. Nos dois extremos me sinto capaz de tomar qualquer rumo, por mais louco que seja, na minha vida. Apenas para descobrir que esta liberdade não existe. Aquele que eu sou me escolheu tanto quanto eu o escolhi ao longo da minha vida.

Nas palavras de Saramago:

Dentro de nós existe algo que não tem nome, esta coisa é o que somos.

Boa noite, molecada.


domingo, fevereiro 13, 2005

The Cooler - Quebrando a Banca

Molecada, vi esse filme ontem por conta da minha noiva ser fã do tiozinho Alec Baldwin (aliás de qualquer Baldwin...) - ok, ok, é brincadeira. De fato, já tinha ficado curioso com a estória do filme e quando soube que o Alec Baldwin foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante (eu não lembrava) fiquei mais curioso ainda.

The Cooler - Quebrando a Banca é dirigido por Wayne Kramer, que também é co-autor do roteiro. A pelí­cula conta, ainda, com um elenco para lá de estranho, se você olhar as carreiras desta troupe: William H. Macy (Bernie Lootz), Alec Baldwin (Shelly Kaplow) e Maria Bello (Natalie Belisario) formam o trio que conduz a estória.

Bernie é um empregado mais que especial do cassino Golden Shangri-la, é ele o Cooler, o cara que chega junto às mesas que estão perdendo dinheiro para interromper a maré de sorte do ganhador com sua presença: o verdadeiro sr. Pé-Frio, como é chamado na tradução para o português. Como seus "poderes" funcionam à perfeição, Lootz é um recurso mais que especial do cassino. O único problema é que o contrato do sr. Pé-Frio está para acabar e seu empregador (Shelly) não quer perder o rapaz. Nesse meio tempo, Bernie faz amizade, e até um pouco mais, com Natalie. Não há explicação para o efeito que Bernie tem sobre os jogadores, mas a cara do nosso anti-herói é tão depressiva (coisa que o Macy faz à perfeição) que se ele aparecesse do meu lado em qualquer lugar, eu saía correndo.

Ao mesmo tempo, Shelly recebe a visita de um dos sócios do cassino, Buddy Stafford (representado por Paul Sorvino) que acha que Shelly precisa modernizar os métodos de administração do cassino e traz um "reforço": Larry Sokolov (Ron Livingston), um sujeito limpinho, formado em Administração, e que tem por função tornar o Golden Shangri-la um cassino moderno. Reparem bem nos trajes do sr. Sokolov, enquanto Shelly mostra os métodos de gestão da velha guarda da jogatina.

É nesse quadro que o sr. Pé-Frio e Natalie se apaixonam. A cena em que Bernie acorda e descobre que Natalie não o deixou é particularmente contagiante. O que ninguém sabe é que quando Bernie se apaixona, sua má sorte o abandona e seu talento especial deixa de funcionar. Para complicar um pouco mais a estória, seu filho Mikey (Shawn Hatosy) aparece pedindo uma força por conta da namorada grávida.

Molecada, a estória começa meio estranha. Desse ponto em diante ela fica esquisita, tocante e surpreendente. O filme tem um final dos mais estranhos que eu já vi, nem tanto pela situação em si, mas pelo desenrolar da seqüência. Filme estranho, muito estranho, essa é uma boa definição para ele.

Filmado com imagens que têm um timbre de velhice, decadência (com cores e brilho um tanto esmaecidos), acompanhado por canções que dão o clima dos cassinos e com atores que se arriscam nesse roteiro estranho, como na cena em que William H. Macy e Maria Bello fazem sexo e dispensam os dublês de corpo ou nas cenas de violência protagonizadas pelo Alec Baldwin - que me surpreendeu sobremaneira, The Cooler - Quebrando a Banca é um filme que prende o espectador nos primeiros minutos e não o deixa sair da cadeira até o minuto final. Pode ser que você não goste da estória, dos personagens ou do desfecho, mas este é um grande filme.

Isto também passará

Molecada, em primeiro lugar quero agradecer pelas palavras de apoio e carinho depois do último post. Obrigado mesmo! Fica mais fácil tocar o barco e superar as dores quando a gente sabe que tem outras pessoas aí fora que querem nosso bem. Valeu mesmo galera!

Em segundo lugar, estava a fim de dizer que esta foi uma das semanas mais brabas da minha vida! Putz! Se tive alguma pior que essa, está tão recalcada que somente o Dr. Freud conseguiria trazer à tona... O pior de tudo, é que pouco ou nada pude fazer para evitar que tais coisas acontecessem ou que tivessem efeitos não tão ruins. Muito saiu das minhas mãos, ficou fora do meu alcance. Como na maior parte dos eventos de nossas vidas, fiz o possível para me manter no curso do rio, desviando das pedras e evitando a segurança falsa de certas margens escuras.

Essa situação toda me lembrou uma coisa que marcou na minha infância. Não sei se alguém vai lembrar disso, mas na década de 70, ao menos na Bahia, ainda existiam os vendedores de coleções de livros e minha mãe (eh, D. Edna, olha a senhora citada na Internet) preocupada como sempre com a educação dos pimpolhos, comprou um Curso de Inglês sem Mestre, composto de três livros e uma meia dúzia de compactos* com os textos e exercícios de pronúncia. Bom, tal livro, em dos textos para estudo (vol. 3, para os bravos que lá chegaram), estava contada a estória de um Rei que pedia aos filósofos do seu reino que cunhassem uma frase tão pequena que pudesse ser entalhada no anel real e tão abrangente que se aplicasse a qualquer momento da vida: aos bons e aos maus momentos, indistintamente.

Depois de muito tempo, um dos filósofos surgiu com uma frase que, para mim, define a vida e a relação que devíamos ter com ela e que nem sempre somos equilibrados o suficiente para isso. A frase proposta pelo filósofo era:

Isto também passará.

Desde que li esta estória, lá pelos idos de 78, 79, que volta e meia me lembro dela. Confesso que sempre nos momentos tristes, para ajudar a superar a tristeza. Sei que deveria me lembrar disso também nas horas alegres, até mesmo para aproveitá-las melhor, mas um dia eu aprendo.

Foi com esses pensamentos que entrei, ontem de manhã, no flog da Darkness Lady, para ver o que ela tinha postado ontem e me deparei com a música Metal Contra as Nuvens, da Legião Urbana, que contém o seguinte trecho:

Não me entrego sem lutar,
Tenho ainda coração.

Não aprendi a me entregar

Que caia o inimigo então.
Tudo passa, tudo passará.


Sem essa idéia, talvez eu não tivesse conseguido sair feliz dessa semana que acabou ontem e começar a nova com um sorriso feliz no rosto e tocando as coisas boas que estão acontecendo. Reaprendi a velha lição do Imperador Marco Aurélio, em seus escritos:

Se você se aborreceu com alguma coisa externa a si mesmo, não é propriamente a coisa que o está perturbando, mas sua própria avaliação sobre ela, e está em seu poder anular esse julgamento, imediatamente.

E se é alguma coisa do seu próprio caráter que o está perturbando, quem pode impedi-lo de procurar, escolher e cultivar princípios melhores?

O mesmo ocorre se você está incomodado, desconfortável, por não estar fazendo algo que deveria fazer porque é correto e deve ser feito - por que não agir em vez de reclamar?

Pois é, molecada: aquilo que não está em nossas mãos resolver não deve nos perturbar, embora isso não signifique ser alheio ao mundo ao nosso redor.

Um grande abraço e uma boa semana para todo mundo!

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

And The Razzie Goes to... Mr. Kevin Costner

Molecada, vocês perceberam que eu adoro o tio Kevin Costner, certo? A boa notícia é que eu não estou sozinho. Tem muito mais gente neste mundinho que gosta de cinema e detesta o nosso amigo. Duvidam? Este seu amigo vai lhes poupar trabalho na tarefa de provar que o sr. Costner pode ser considerado uma sumidade em filmes ruins. Seja produzindo, escrevendo, dirigindo ou atuando (ou qualquer combinação dessas) ele manda bem... mal.

Querem a prova? Segue a lista das indicações e vitórias (?!) do homem, do mito no prêmio Framboesa de Ouro. A lista apresenta apenas as indicações nas quais o sr. Costner teve participação, assim, se o filme foi indicado por algo que nosso amigo não participe, não será listado abaixo. Os prêmios recebidos pelo ator estarão destacados em negrito. Vamos a ela:

1991
Pior Ator - Kevin Costner, Robin Hood - O Príncipe dos Ladrões

1992
Pior Filme - O Guarda-Costas, Produtores: Lawrence Kasdan, Jim Wilson e Kevin Costner
Pior Ator - Kevin Costner, O Guarda-Costas
Pior novo astro - O Cabelo Curto de Kevin Costner, O Guarda-Costas

1994
Pior Filme - Wyatt Earp, Produtores: Jim Wilson, Kevin Costner e Lawrence Kasdan
Pior Ator - Kevin Costner, Wyatt Earp
Pior Remake ou Seqüência - Wyatt Earp, Produtores: Jim Wilson, Kevin Costner e Lawrence Kasdan
Pior par da tela - Kevin Costner e qualquer das suas três esposas, Wyatt Earp

1995
Pior Filme - Waterworld - O Segredo das Águas, Produtores: Charles Gordon, John Davis e Kevin Costner
Pior Ator - Kevin Costner, Waterworld - O Segredo das Águas
Pior Diretor - Kevin Reynolds (com pitacos indesejados de Kevin Costner), Waterworld - O Segredo das Águas

1997
Pior Filme - O Mensageiro, Produtores: Jim Wilson Steve Tisch e Kevin Costner.
Pior Ator - Kevin Costner, O Mensageiro
Pior Diretor - Kevin Costner, O Mensageiro

1999
Pior Ator - Kevin Costner, Por Amor e Uma Carta de Amor
Pior Ator do Século - Kevin Costner, O Mensageiro, Robin Hood, Waterworld, Wyatt Earp, etc.

2001
Pior Ator - Kevin Costner, 3000 milhas para o inferno
Pior Par da Tela - Kurt Russell seja com Kevin Costner ou Courtney Cox, 3000 milhas para o inferno

Agora, digam a verdade: é ou não é um senhor currículo?

Créditos:
1. Este post tem a co-autoria mais que especial de minha noiva, Mariele. A pergunta que não quer calar, ao final do post, é contribuição dela.

2. A filmografia completa do mito, com os títulos em português, pode ser encontrada no site Cineminha (não impliquem comigo, foi só uma coincidência), nesta página.

3. As indicações e prêmios foram retiradas do site oficial do Framboesa de Ouro. Diversão garantida aqui.

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

Sideways

Molecada, deixa eu confessar: essa página ficou em branco por, pelo menos, uma hora e meia antes que eu me decidisse enrolar no começo deste post. É muito díficil falar de algo que você achou bom sem racionalizar, sabe? Foi assim, ontem à tarde, com Sideways - Entre umas e outras (mais um subtítulo infeliz para a nossa conta...) Tenho uma teoria maluca que diz que um filme realmente bom conquista quem o assiste independente do gênero. Esse filme maravilhoso confirma minha idéia.

Escrito com base no livro de Rex Pickett e dirigido por Alexander Payne, que também escreveu e dirigiu Eleição e Confissões de Schmidt e estrelado por Paul Giamatti, Thomas Haden Church, Virginia Madsen e Sandra Oh, conta uma semana da vida de Miles Raymond: a semana antes do casamento de seu grande amigo Jack, de quem Miles vai ser padrinho de casamento.

Como padrinho de casamento, Miles (Giamatti) resolve dar de presente a Jack (Haden Church) uma semana inesquecível, como despedida de solteiro, incluindo passeios por vinhas famosas da Califórnia, boa comida e golf. Bem, nosso amigo Jack tem outra idéia sobre a semana inesquecível antes do seu casamento e aí começam as complicações. Junte a isso o fato de Miles estar divorciado e sozinho há dois anos, ter esperanças de voltar para sua esposa e ter um livro que é continuamente recusado por toda e qualquer editora para o qual ele é enviado.

À medida que Jack começa a transformar o agradável passeio imaginado por Miles em sua festa de despedida, surgem Maya (Virginia Madsen), garçonete em um restaurante onde Miles costuma ir beber e comer em seus passeios na região e Stephanie (Sandra Oh), que trabalha em uma vinícola no roteiro dos dois amigos. Desses encontros resultam um caso tórrido entre Jack e Stephanie e o começo de uma bela estória de amor entre Miles e Maya.

O diretor trata essa estória quase banal com sutileza suficiente para que uma seqüência óbvia, que a maioria das pessoas tem certeza que vai acontecer, seja capaz de emocionar e com uma aversão pelos caminhos convencionais, conjugando diálogos, fotografia, cenários e a performance espetacular dos atores principais.

Tendo como pano de fundo esta semana, Payne discute a meia-idade, os medos de cada um de nós, os motivos pelos quais cada um chegou onde chegou e os caminhos que cada um de nós pode tomar. Amizade, amor, cumplicidade e coragem estão presentes nesta estória um tanto quanto triste para ser chamada puramente de comédia e alegre demais para ser chamada de drama. Sideways é um filme que não se deixa se classificar facilmente e que deixa o espectador entre a tristeza e alegria pelo destino, visível ou presumido, dos personagens. Um filme verdadeiramente agridoce.

domingo, fevereiro 06, 2005

Uma arma nas costas

Molecada, acho que hoje vou ter que fugir do meu habitual e fazer algo que eu abominei nos primeiros blogs que li: postar coisas tristes, mas tem horas que a gente precisa exorcizar nossos demônios (e mesmo os de alguns infelizes). Não sei nem por onde começar essa estória, mas sei de uma coisa, ela não é representativa de minha vida, graças a Deus.

É uma droga quando a gente quer tratar as coisas de forma leve e não consegue. O título desse post acabou de acontecer comigo, depois de uma noite superlegal de carnaval. É uma festa da qual eu gosto e desgosto ao longo do tempo e, este ano, estava com toda vontade de pular todos os dias. Pôxa: é muito legal você reunir um monte de gente e ouvir música alta, dançar, beber e voltar feliz e sorridente. Tá certo que no meio desse monte de gente, nem todo mundo presta, mas precisa usar uma arma para roubar um celular?

Percebi um dos assaltantes e parei de andar por um tempo. O parceiro dele me apontou uma arma nas costas e levou meu telefone. Dói pensar que se eu tivesse qualquer outra reação que não fosse ficar parado, certamente não estaria escrevendo agora, talvez estivéssemos, eu e minha noiva, num hospital lotado, sei lá...

Bom. Estamos vivos, sãos, assustados, mas vivos e sãos. Isso é que importa. Espero que a gente encontre um caminho para que isso acabe. Senão para nós mesmos, para nossos filhos e netos, já que nossos pais não conseguiram e deixaram como legado involuntário um mundo mais díficil de viver.

Boa noite, molecada. Um grande beijo e um grande abraço.

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

E no fim de tudo, é somente Amor

Bom, molecada, este post começou a ser gestado na manhã de hoje. Acordei às 5:00 h, sem que o rádio-relógio começasse o seu show de galinha sendo esgüelada, rolei para um lado e para o outro da cama e desisti de dormir de novo. Levantei, botei o DVD do New Order e fiquei fazendo as coisas cotidianas. Lá pelas tantas, meu amigo Bernard Sumner introduz Bizarre Love Triangle, com a frase:

This is a story about a Bizarre Love Triangle

Confesso que, na mesma hora, fiquei maquinando sobre o tal Triângulo Amoroso Bizarro, quem seriam as partes desse triângulo? Seriam dois homens que amavam a mesma mulher? Duas mulheres que amavam o mesmo homem? O fato é que só pouco mais tarde é que me toquei que em momento algum considerei que fossem três homens ou três mulheres. Ou mesmo um homem apaixonado por uma mulher e por um homem ou uma mulher apaixonada por outra e por um homem. Qual será o triângulo, desses, que o povo do New Order quer descrever quando canta:

... It's no problem of mine
But it's a problem I find

Living the life that I can't leave behind...

Depois de pensar nisso, veio a minha mente uma idéia que sempre discuto com minha noiva, a respeito de amor, de relação e que se materializou de novo com essa música: o que as pessoas fazem quando cantam uma música para o outro a quem amam e descobrem que o casal retratado na música não é do mesmo tipo que o seu. Nessa hora, lembrei de "O Mundo Anda Tão Complicado", do Legião Urbana, que eu adoro e que me dá uma imagem muito gostosa da vida que quero levar com minha noiva. Vê se não é legal poder imaginar sua vida com alguém assim:

...Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada

Esquece um pouco do trabalho

E fica de bate-papo

Temos a semana inteira pela frente

Você me conta como foi seu dia

E a gente diz um p'ro outro:

- Estou com sono, vamos dormir!

Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver

O mundo anda tão complicado

Que hoje eu quero fazer tudo por você...

Qual o problema disso? Conheço algumas pessoas que deixaram de achar que estes eram seus sentimentos quando souberam que era do Renato Russo para outro homem. E para dizer a verdade, não foi um nem dois amigos que tomaram essa atitude... Lamentável, né? E o pior é que se for uma mulher cantando para outra mulher, a maioria das pessoas aceita. Um homem para outro? Não vou repetir a baixaria que eu ouço por aí!

Mas tenho que dizer algumas coisas sobre isso: essa hipocrisia me entristece muito. Vou admitir, logo de cara, que já convivi com alguns casais homossexuais altamente apaixonados e minha educação machista aceitou bem o casal feminino, mas me deixou em maus lençóis com os casais masculinos...

Depois de muito tempo, passei a me perguntar, me esforçando para me livrar da minha educação machista latina, se um casal homossexual (tanto faz se são duas meninas ou dois meninos) tem que aceitar que eu e minha noiva façamos todas demonstrações de carinho, de amor e de afeto em público, sendo constrangidos com isso e eu se eu tenho o direito de invocar o respeito à minha pessoa ao ver dois homens trocando carinhos e beijos em público por que isso me constrange. O fato é que eu não posso impedir nenhum casal de fazer nada, já que eu quero exercer o meu direito de demonstrar meu carinho e amor em público!

Essa estória toda me acompanha desde muito tempo e hoje, finalmente, talvez eu tenha conseguido entender por que essa situação toda de desrespeito ao outro sempre confrontou minha educação, ainda que eu fique constrangido: no fim da contas, o beijo entre mim e minha noiva, entre você e seu noivo/namorado/marido ou entre você (menino) e seu noivo/namorado/marido ou você (menina) e sua noiva/namorada/esposa, a letra do Renato ou Triângulo Amoroso Bizarro do New Order, são todos a mesma coisa, o mesmo sentimento, que não tem gênero, não tem opção sexual, cor, raça, religião, dinheiro ou o que quer que seja.

No fim das contas, é somente Amor.

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Os Piores Filmes do Mundo

Tá certo, molecada, essa minha lista não é nenhuma novidade para quem me conhece. Acho que para que gosta de cinema também não vai sair nada novo aqui. Nem acho que eu vou surpreender ninguém.

(Será? Será?)

A verdade é que me lembrei de postar isso hoje por conta de uma situação engraçada que passei há algum tempo atrás, quando postei em uma área de comentários de cinema do jornal O Globo, que achei Anaconda a maior tranqueira já escrita/produzida/representada/exibida. Bom, um caro leitor d'O Globo me enxovalhou. Não sei porquê lembrei disso, mas... Segurem a peteca e sintam-se à vontade para reclamar, concordar, adicionar suas sugestões. Vamos nessa:

Anaconda (1997): esse é um clássico dos filmes péssimos. Um roteiro imbecil - quem é que não percebe que o sr. Paul Sarone, "vivido" por Jon Voight, tá armando alguma? Atores sofríveis. Já que Jennifer Lopez (ainda com nariz de batata) e Ice Cube não seguram nem velório como carpideiras... O melhor ator do filme, Eric Stoltz, teve uma performance excepcional: dormiu o filme todo com o um besouro que o mordeu na garganta, por dentro! Os defeitos especiais são de terceira categoria: quem é que não veria uma cobra de um metro de diâmetro que se arrasta "silenciosamente" pela floresta Amazônica? E ainda tem a anaconda acendendo por dentro enquanto come o Paul Sarone e a piscadinha do próprio ao ser regurgitado pela simpática cobra do título. E pensar que isso ainda ganhou uma continuação...

A Reconquista (2000)
: baseado na primeira parte do livro Campo de Batalha Terra, de L. Ron Hubbard, autor de ficção e fundador da Cientologia, da qual faz parte o "astro" deste filme "monstruoso", John Travolta, conseguiu arrancar gargalhadas histéricas deste que vos escreve, sem dó nem piedade. Resumo da estória: aliens maus invadem a Terra e a dominam, homens bons viram selvagens escravos, homens bons descobrem arsenal americano com 1000 anos de idade, todos os equipamentos funcionam e todos aprendem a montar bombas e pilotar caças com os manuais, os homens bons atacam os aliens maus e destroem parte do planeta dos aliens. Sem contar que John Travolta tentou fazer este filme durante tanto tempo, que quando ele conseguiu já não tinha mais idade para representar o herói e pegou o papel do chefe dos aliens (os Psylos). Imagine agora o seguinte: o herói chama-se Jonnie Goodboy Tyler e é representado por Barry Pepper (famoso quem?) e que os dois vilões aliens Terl (Travolta) e Ker (Forest Whitaker) andam com uns dreadlocks estilosos, roupas de couro e botas de plataforma com meio metro de altura, isso mesmo: os Psylos têm 3 metros de altura. O roteiro? Esqueça. É um clássico do lixão. Custou US$ 73.000.000,00 e rendeu US$ 21.400.000,00 (e pensar que EU contribui para isso...) Bom, Travolta até que tentou, mas ninguém, ninguém mesmo bancou a continuação dessa tralha.

Piranhas 2 (1981): bzzzzzzz! bzzzzzzz! bzzzzzz! Agora feche os olhos e imagine uma piranha voando atrás de você em seu barco, num resort no Caribe. Percebeu as enormes possibilidades cinematográficas desta idéia? James Cameron (esse mesmo, d'O Exterminador do Futuro, de Titanic) percebeu e dirigiu esta droga. Horrível, horrível, horrível e eu ainda tive que esperar passar na Sessão Coruja, séculos atrás!

Na companhia do Medo (2003)
: Minha noiva não gosta de filmes de terror, logo só os vejo no DVD. Confesso que entrei na fila para pegar esse aqui. Dirigido por Mathieu Kassovitz, que também dirigiu Rios Vermelhos e é estrelado por Halle Berry, Robert Downey Jr e Charles S. Dutton e contando ainda com Penélope Cruz, me deixou na maior expectativa. Bom, molecada, é uma droga. Não dá nem para rir, como no caso dos três anteriores. É algo como Sexto Sentido encontra 13 Fantasmas vendo um filme Super 8mm. Argh! Não vai nessa não que é esparro!

Dança com Lobos (1990): Esse sempre me pareceu que o tenente John Dunbar toma um murro de Pássaro Chutante (nem reclamem, a tradução literal é essa) na primavera e acorda no inverno seguinte tendo caso meio esquisito com uns lobos. Na minha terra, isso é chamado de Zoofilia. Antes que alguém pergunte, eu não gosto dos filmes do senhor Costner, à exceção d'O Mistério da Libélula. Já tentei assistir várias vezes e dormi em todas elas. Já desisti. Porque será que o Kevin Costner não desiste?

Solaris (2002): Li o livro quando era adolescente e quando soube que Steven Soderbergh iria filmá-lo fiquei animado, afinal a estória tem um fundo psicológico muito forte e a surpresa final é chocante. Bom, depois de ver o George Clooney se bater na nave inteira e mandar a mulher para o espaço, literalmente, uma meia-dúzia de vezes, comecei a querer dormir no cinema. O final é horrível, a estória, que se passa na órbita de um planeta desconhecido, onde acontecem as coisas mais esquisitas, foi mutilada e o grande lance do planeta (que eu não vou contar aqui) passa meio despercebido. Ah! Descobri, no IMDB, que o filme "só" tem 99 minutos. Nas minhas contas, durava umas três horas. Dizem que a tortura distorce a noção de tempo do indivíduo...

Bom, molecada, para fechar minha lista de Piores do Mundo, vem o filme, o mito, a cópia, a desgraceira total em forma de cinema, mais uma pérola do sr. Kevin Costner:

Mad Max, o bacalhau (também conhecido como Waterworld, de 1995): Se eu encontrasse o Mariner, ia ajudar a procurar a Terra Seca só para ver se tinha uma árvore para enforcá-lo. Caro, mal-escrito, mal-dirigido e longo, muito longo. Para mim é uma cópia sem-vergonha de Mad Max (que já não é grande coisa). O que tem bom nesse filme? Duas coisas: a Jeanne Tripplehorn num visual selvagem e descabelado que é nota 10 e aquelas duas palavras mágicas:

The End.